domingo, 17 de fevereiro de 2008

De tudo, ao meu amor serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.



Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto.
E rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ou seu contentamento .


E assim quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive,
quem sabe a solidão, fim de quem ama,
eu possa lhe dizer do amor (que tive):

_ Que não seja imortal, posto que é chama

mas que seja infinito enquanto dure.



Vinícius de Moraes

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